Novo iPhone Duo apresenta modelo que dobra com tela dinâmica

iPhone Duo: Apple entra na era dos dobráveis

iPhone Duo: o primeiro dobrável da Apple

A Apple levou quase duas décadas para mudar a forma mais básica de um iPhone. Desde o primeiro modelo, apresentado em 2007, a evolução aconteceu principalmente dentro de um formato que permaneceu reconhecível: uma tela, uma estrutura rígida, uma câmera cada vez mais sofisticada e, ano após ano, mais desempenho concentrado no mesmo retângulo. O iPhone Duo rompe essa continuidade de uma maneira que vai além de simplesmente dobrar uma tela. Pela primeira vez, a Apple está redesenhando a relação física entre o aparelho e aquilo que o usuário faz com ele.

Apresentado em 9 de setembro, o iPhone Duo é o primeiro iPhone dobrável e chega com uma proposta que combina uma tela interna de 7,6 polegadas com uma tela externa de 5,4 polegadas. Aberto, torna-se o iPhone mais fino já produzido pela Apple e oferece uma área de visualização 50% maior que a do iPhone 18 Pro Max. Fechado, mantém dimensões suficientemente compactas para ser levado no bolso e pode ser utilizado com uma mão. A Apple também redesenhou o iOS 27 para que a mudança de formato não pareça um acessório sobreposto ao sistema: controles, aplicativos, multitarefa e até elementos tradicionais da interface passam a responder à posição do aparelho.

É uma estratégia bastante característica da empresa. Em vez de entrar no mercado de dobráveis simplesmente reproduzindo o que outras fabricantes já fazem há anos, a Apple tenta convencer o consumidor de que o formato pode ser incorporado ao conceito de iPhone sem exigir que ele reaprenda a usar o aparelho. Essa diferença aparece em praticamente todas as decisões do Duo, da dobradiça à interface, passando pela câmera e pelo sistema de bateria.

Novo iPhone Duo apresenta modelo que dobra com tela dinâmica

A Apple demorou, mas escolheu outro caminho

O mercado de smartphones dobráveis já deixou de ser experimental. Samsung, Google, Motorola e fabricantes chinesas passaram anos testando diferentes formatos, tamanhos, dobradiças e mecanismos de tela, criando um público que já entende a lógica de abrir um aparelho para obter uma área maior de visualização. A chegada da Apple, portanto, acontece em um momento em que a tecnologia já não precisa ser apresentada ao consumidor como uma curiosidade.

O desafio da empresa é outro: fazer com que o dobrável pareça inevitável dentro do ecossistema do iPhone.

O Duo parte de uma ideia simples. Fechado, ele funciona como um smartphone tradicional, com tela externa de 5,4 polegadas. Aberto, transforma-se em uma superfície de 7,6 polegadas destinada a conteúdo, jogos, chamadas, produtividade e multitarefa. As duas telas utilizam a mesma proporção, de modo que o conteúdo possa continuar de uma para outra sem uma mudança brusca de escala. A tela interna ainda recebe acabamento nano-texture, que reduz reflexos e torna a dobra menos perceptível visualmente.

A escolha é importante porque um dos problemas dos primeiros dobráveis não estava necessariamente no tamanho da tela, mas na sensação de que o aparelho era composto por duas experiências diferentes. A Apple tenta tratar as duas superfícies como partes de um mesmo dispositivo. O usuário pode começar uma atividade com o telefone fechado, abrir o aparelho e continuar de onde estava, ou inverter a lógica e utilizar a tela externa para determinadas funções enquanto mantém o aparelho aberto.

O resultado é menos parecido com um telefone que ocasionalmente vira tablet e mais próximo de um novo tipo de iPhone.

Uma tela grande que continua cabendo no bolso

A tela interna de 7,6 polegadas é o elemento que mais imediatamente muda a experiência. Ela utiliza tecnologia Super Retina XDR, tem ProMotion, Always-On e brilho máximo de 3.000 nits em ambientes externos. A Apple também desenvolveu uma nova câmera FaceTime escondida sob a tela interna, permitindo manter a superfície sem um recorte visível quando a câmera não está sendo utilizada.

A diferença fica ainda mais evidente quando o aparelho é utilizado para tarefas que normalmente exigem alternância entre aplicativos. Pela primeira vez em um iPhone, o sistema permite abrir dois aplicativos lado a lado com o Split View. É possível, por exemplo, manter um navegador de um lado e um aplicativo de mensagens do outro, comparar produtos em duas janelas do Safari ou conversar com a Siri enquanto um conteúdo permanece visível na tela oposta.

Para quem viaja, esse tipo de mudança pode ser mais significativa do que parece nas especificações. Um roteiro aberto ao lado de um mapa, uma reserva de hotel ao lado do e-mail de confirmação, uma planilha acompanhada de mensagens ou uma página de atrações consultada enquanto o viajante conversa com outra pessoa são situações em que a tela maior deixa de ser simplesmente uma característica visual e passa a economizar etapas.

O aparelho também pode ser apoiado em diferentes posições para chamadas, fotografias e consumo de conteúdo. O StandBy foi adaptado para funcionar nas duas telas e, no Duo, pode ser ativado mesmo sem o aparelho estar conectado ao carregador. A Apple transformou, assim, o próprio formato físico em uma parte da interface, algo que ajuda a explicar por que o projeto demorou tanto para chegar ao mercado.

Detalhes do novo iPhone Duo, o iPhone dobrável da Apple

A dobradiça é tão importante quanto a tela

Em um telefone convencional, a estrutura precisa apenas proteger uma superfície rígida. Em um dobrável, cada abertura e fechamento representa um movimento mecânico que precisa ser controlado durante toda a vida útil do aparelho. É por isso que a dobradiça talvez seja uma das partes mais importantes do Duo, embora seja justamente uma das menos visíveis.

A Apple afirma que o mecanismo utiliza mais de 100 componentes e foi projetado para controlar precisamente a abertura e o fechamento, além de sustentar o centro da tela quando o aparelho está completamente aberto. Ímãs integrados ajudam a manter o fechamento seguro. Internamente, nervuras de suporte reforçam a estrutura, enquanto inserções de fibra cerâmica trabalham para aumentar a rigidez do conjunto.

A construção utiliza titânio grau 5 com acabamento polido, Ceramic Shield na traseira e Ceramic Shield 2 na tela externa. Segundo a Apple, o novo Ceramic Shield oferece resistência a riscos três vezes maior que a geração anterior. O aparelho também possui certificação IP68 contra água e poeira.

A tela dobrável recebeu ainda uma arquitetura de múltiplas camadas. Vidros de alta resistência ficam acima e abaixo do painel, enquanto adesivos desenvolvidos especificamente para o aparelho permitem que as camadas se movimentem umas em relação às outras durante a dobra. A intenção é distribuir o estresse mecânico de maneira semelhante ao movimento das páginas de um livro, reduzindo a deformação do painel ao longo do tempo.

É uma abordagem que revela uma preocupação evidente da Apple: convencer o comprador de que o Duo não é um iPhone descartável ou excessivamente delicado. Para um produto cujo preço parte de US$ 1.999 nos Estados Unidos, a percepção de durabilidade será tão importante quanto a qualidade da tela.

A câmera ganhou funções que dependem do aparelho dobrar

O sistema fotográfico do Duo não se limita a reproduzir o conjunto de câmeras de um iPhone convencional. A Apple aproveitou a existência de duas telas para criar situações em que o próprio telefone passa a participar da fotografia.

A câmera principal é uma 48 MP Fusion com zero atraso do obturador, captura em 24 MP como configuração padrão e zoom óptico de qualidade 2x integrado. Há ainda uma 48 MP Fusion Ultra Wide, enquanto a câmera frontal Center Stage consegue enquadrar fotografias e vídeos automaticamente em diferentes orientações.

A diferença aparece especialmente quando o aparelho está dobrado. É possível utilizar as câmeras traseiras, que oferecem maior resolução, enquanto a tela externa mostra a prévia da imagem. Dessa maneira, o usuário pode fazer uma selfie utilizando o conjunto fotográfico principal sem precisar depender da câmera frontal.

O Duo Preview leva essa lógica adiante ao mostrar a prévia da fotografia na tela externa. Para quem está fotografando outra pessoa, isso significa que o próprio fotografado consegue acompanhar o enquadramento. O Kid Cue segue uma lógica ainda mais específica: animações dos Peanuts aparecem na tela externa para chamar a atenção de crianças durante uma fotografia.

Há também o Smart Take, no qual modelos de inteligência artificial executados no próprio aparelho analisam a cena e identificam o momento adequado para capturar a fotografia. Em viagens em família, essa função pode ter uma utilidade bastante concreta: reduzir aquela pequena operação logística que acontece antes de uma foto de grupo, quando alguém precisa correr de volta para a posição depois de apertar o temporizador.

O Duo também amplia as possibilidades do FaceTime. A câmera sob a tela permite chamadas com o aparelho aberto ou apoiado sobre uma superfície, enquanto o Duo FaceTime usa a tela e a câmera externas para incluir outra pessoa na conversa. O Dual Capture, por sua vez, compartilha simultaneamente imagens das câmeras frontal e traseira.

Na gravação de vídeo, o aparelho chega a 4K a 120 quadros por segundo em Dolby Vision com a câmera principal. O Cinematic pode receber efeitos depois da captura em até 60 fps, enquanto o Audio Mix ganhou algoritmos atualizados para melhorar vozes e isolar música. O Time-lapse também chega a 4K em Dolby Vision HDR.

O iOS finalmente ganha uma interface pensada para duas telas

Talvez a mudança mais profunda esteja menos no hardware e mais na maneira como o sistema operacional ocupa o espaço.

No iOS 27, controles da Tela Bloqueada, Dock e comandos de aplicativos são deslocados para as laterais quando o Duo está aberto. A Tela de Início passa a trabalhar com duas páginas e o Today View ocupa o lado esquerdo. A Dynamic Island também foi redesenhada para acompanhar a orientação do dispositivo.

O sistema reconhece quando o aparelho é aberto, fechado ou girado, reorganizando o conteúdo de acordo com a posição. A intenção é evitar a sensação de que o usuário está utilizando um software de celular esticado sobre uma tela maior.

Essa adaptação é particularmente importante porque a Apple está vendendo o Duo como um iPhone antes de vendê-lo como um dobrável. A pessoa que compra o aparelho não deveria precisar aprender uma nova filosofia de uso. Ela deveria simplesmente descobrir, aos poucos, que algumas coisas ficaram maiores e outras se tornaram possíveis.

Aplicativos de terceiros também poderão aproveitar as novas APIs. Netflix, Zoom e Slack estão entre os aplicativos citados pela Apple como exemplos de experiências que já exploram o formato. A partir daí, o sucesso do Duo dependerá de uma variável que a própria Apple não controla integralmente: quantos desenvolvedores realmente decidirão aproveitar a tela interna em vez de simplesmente deixar seus aplicativos funcionando em uma área maior.

A Siri passa a ocupar um espaço maior

O Duo chega também em uma fase importante da transformação da Apple em inteligência artificial. O aparelho terá acesso à nova Siri AI, lançada em beta com o iOS 27, além dos recursos de Apple Intelligence.

A Siri pode utilizar contexto pessoal para localizar informações em mensagens, e-mails e fotos, interpretar o conteúdo exibido na tela e executar ações relacionadas a ele. A nova experiência também ganha um aplicativo próprio, com histórico de conversas sincronizado de forma privada entre produtos por meio do iCloud.

No Duo, a IA ganha uma vantagem física: uma tela de 7,6 polegadas oferece espaço suficiente para manter uma conversa com a Siri aberta enquanto o conteúdo relacionado permanece visível. É uma diferença pequena na especificação e bastante grande na experiência.

O Apple Intelligence também passa a trabalhar com recursos de edição de imagens, Image Playground, Clean Up e o Notify Me do Safari, que pode acompanhar páginas em busca de mudanças como reposição de estoque ou queda de preços. A Apple mantém o processamento no dispositivo sempre que possível e utiliza o Private Cloud Compute para determinadas tarefas que exigem nuvem.

A empresa, portanto, está tentando fazer com que a grande tela não sirva apenas para assistir a mais conteúdo. Ela também funciona como espaço para interagir com a inteligência artificial de maneira mais natural.

A20 Pro e duas baterias para sustentar a mudança

Um dos desafios de um dobrável é justamente alimentar duas telas e, ao mesmo tempo, manter o aparelho fino. A Apple adotou uma arquitetura de bateria dupla, com uma bateria de alta densidade energética em cada lado do aparelho.

O Duo utiliza o A20 Pro, o mesmo chip encontrado nos modelos iPhone 18 Pro, combinado a uma câmara de vapor desenvolvida especificamente para o dispositivo. Segundo a Apple, o conjunto proporciona até 35% mais desempenho sustentado que o iPhone 17 Pro. O processador tem seis núcleos, a GPU tem sete e o Neural Engine Dual de 16 núcleos foi desenvolvido para acelerar o processamento de modelos de IA diretamente no aparelho.

A Apple também afirma que o chip é produzido em processo de 2 nanômetros e oferece 50% mais largura de banda de memória unificada. Na prática, o objetivo é permitir que o aparelho sustente jogos, multitarefa e processamento de IA sem que o desempenho caia rapidamente por causa do calor.

A autonomia declarada chega a 31 horas de reprodução de vídeo com a tela interna e 44 horas utilizando a tela externa. Quando as duas telas são utilizadas de maneira equilibrada, a Apple informa até 24 horas de uso por carga. O carregamento pode chegar a 50% em aproximadamente 20 minutos com fio ou cerca de 30 minutos sem fio com MagSafe ou Qi2.

Quanto custa o iPhone Duo?

O preço é o ponto em que o entusiasmo pelo primeiro iPhone dobrável encontra a realidade.

Nos Estados Unidos, o iPhone Duo começa em US$ 1.999 na versão de 256 GB. A linha também será oferecida em 512 GB, 1 TB e 2 TB, chegando a US$ 3.199 na capacidade máxima. No Brasil, a Apple confirmou preços a partir de R$ 21.999 para 256 GB, R$ 23.499 para 512 GB, R$ 26.499 para 1 TB e R$ 30.999 para 2 TB. A pré-venda brasileira começa em 16 de outubro, com disponibilidade a partir de 23 de outubro, na mesma data anunciada para os Estados Unidos.

A diferença nominal entre os mercados é grande. Considerando o dólar comercial em torno de R$ 5,13 em 10 de setembro de 2026, os US$ 1.999 equivaleriam a aproximadamente R$ 10,26 mil antes do imposto estadual americano, IOF, spread cambial ou qualquer outro custo da operação. Em Orlando, ainda é preciso considerar o sales tax: a Flórida cobra 6% de imposto estadual, acrescido do eventual imposto local do condado.

Isso significa que o preço de vitrine americano não é exatamente o preço final pago pelo brasileiro. Mesmo assim, a diferença continua expressiva. Tomando como referência uma compra em Orlando e aproximadamente 6,5% de sales tax, o Duo de 256 GB ficaria perto de US$ 2.129, ou cerca de R$ 10,9 mil na cotação usada nesta comparação. É aproximadamente metade do preço brasileiro.

A conta, porém, muda quando entra a alfândega brasileira.

Vale a pena comprar o iPhone Duo nos Estados Unidos e trazer para o Brasil?

Para quem já estará nos Estados Unidos, o Duo americano tem uma vantagem de preço difícil de ignorar. A diferença em relação aos R$ 21.999 cobrados no Brasil é suficientemente grande para que a compra possa continuar fazendo sentido mesmo quando são considerados o imposto estadual americano e eventuais custos cambiais.

Mas existe uma distinção importante entre comprar no exterior e entrar legalmente no Brasil com uma compra sujeita à tributação.

A Receita Federal estabelece uma cota de isenção de US$ 1.000 para quem chega ao Brasil por via aérea ou marítima. Essa cota se aplica aos bens que não se enquadram como de uso pessoal e que estejam dentro das regras de bagagem acompanhada. O que ultrapassar a cota fica sujeito ao Regime de Tributação Especial, com imposto de importação de 50% sobre o valor excedente.

No caso de um iPhone Duo de US$ 1.999 comprado durante a viagem, uma interpretação simplificada da regra seria considerar US$ 999 como valor excedente e, portanto, US$ 499,50 de imposto. Nesse cenário, o custo aduaneiro seria de aproximadamente US$ 2.498,50, antes da conversão para reais.

Com o dólar de referência utilizado nesta reportagem, isso representaria algo próximo de R$ 12,8 mil, ainda significativamente abaixo dos R$ 21.999 cobrados oficialmente no Brasil.

Há, entretanto, um detalhe que muda completamente a conta: bens de uso pessoal podem ter tratamento diferente da cota. A Receita considera isentos os bens que efetivamente se enquadram como uso ou consumo pessoal, observando critérios como uso próprio, necessidade relacionada à viagem, condição de usado e compatibilidade com as circunstâncias da viagem. Bens de caráter manifestamente pessoal não precisam ser declarados.

É por isso que simplesmente dizer “celular entra na cota de US$ 1.000” é uma simplificação perigosa. Um telefone que o viajante efetivamente esteja utilizando pode ser considerado bem pessoal, enquanto um aparelho novo, ainda na caixa, pode ser tratado como compra. A própria Receita dá tratamento específico para celulares em uso e orienta que bens adquiridos no exterior que não sejam destinados ao uso próprio não podem ser enquadrados nessa isenção.

Existe ainda outro cuidado: se a pessoa saiu do Brasil levando seu próprio celular e retorna com ele mais um Duo comprado nos Estados Unidos, não é seguro presumir que o segundo aparelho se tornou automaticamente “uso pessoal” apenas porque foi aberto e utilizado durante a viagem. A análise depende das circunstâncias e das regras da bagagem, e uma compra de alto valor deve ser tratada com transparência.

Para quem quer evitar qualquer discussão na chegada, a opção mais conservadora é declarar o aparelho quando ele estiver sujeito à declaração. A Receita utiliza a e-DBV, a Declaração Eletrônica de Bens de Viajantes, para registrar bens adquiridos no exterior que ultrapassem a isenção ou que precisem ser formalmente declarados.

A matemática também mostra por que o Duo pode continuar sendo interessante mesmo pagando o imposto. No exemplo do modelo de 256 GB, o preço americano com sales tax fica na faixa de R$ 10,9 mil. Mesmo acrescentando aproximadamente R$ 2,6 mil equivalentes ao imposto sobre o excedente da cota, chegaríamos a algo próximo de R$ 12,8 mil. A diferença para os R$ 21.999 do Brasil ainda seria superior a R$ 9 mil.

É uma economia potencial relevante, mas não deve ser confundida com uma autorização para ignorar a alfândega. A vantagem financeira só existe se a operação for feita dentro das regras.

E o eSIM? Há uma questão importante para brasileiros

O iPhone Duo é vendido mundialmente como um aparelho somente com eSIM. Isso economiza espaço interno e permite à Apple utilizar a área liberada para aumentar a capacidade da bateria. Segundo a empresa, o padrão é compatível com mais de 500 operadoras no mundo.

Para o brasileiro, isso não representa necessariamente um problema, mas é um ponto que merece ser conferido antes da compra. A compatibilidade depende da operadora e do modelo comercializado, e a própria Anatel recomenda verificar se um aparelho adquirido no exterior é compatível com as redes brasileiras antes da compra.

Também existe uma diferença importante entre usar no Brasil um aparelho comprado no exterior e importar aparelhos para comercialização. A Anatel estabelece regras de homologação para equipamentos de telecomunicações e alerta que aparelhos adquiridos no exterior podem apresentar características técnicas diferentes do modelo homologado no país, inclusive nas faixas de frequência utilizadas pelas operadoras.

Para quem compra um único aparelho para uso próprio, portanto, a questão prática é verificar antecipadamente a compatibilidade do modelo americano com as redes brasileiras, manter a documentação da compra e evitar assumir que a existência de um modelo semelhante vendido oficialmente no Brasil significa que todas as versões internacionais são tecnicamente idênticas.

O preço não é a única diferença entre comprar aqui e nos EUA

Existe ainda uma vantagem menos óbvia em comprar oficialmente no Brasil: suporte local e simplicidade.

O consumidor brasileiro compra de uma operação que comercializa oficialmente o aparelho no país, com preço em reais e suporte dentro das condições aplicáveis ao mercado brasileiro. Quem compra nos Estados Unidos precisa considerar garantia, atendimento, eventuais diferenças de modelo e a própria logística caso exista algum problema com o aparelho.

Para um produto de primeira geração, essa diferença pesa mais. O Duo é o primeiro iPhone dobrável da história e, por definição, inaugura uma categoria nova para a Apple. Embora a empresa esteja apresentando uma construção bastante sofisticada, ninguém tem ainda anos de histórico de uso desse mecanismo específico para saber como ele envelhecerá depois de milhares de ciclos de abertura e fechamento.

Esse é um dos motivos pelos quais a compra no exterior faz mais sentido para quem valoriza a diferença de preço e já tem uma viagem programada aos Estados Unidos. Para alguém que precisaria viajar exclusivamente para comprar o aparelho, a economia desaparece rapidamente quando passagem, hospedagem e demais despesas entram na conta.

Um iPhone pensado para quem faz mais de uma coisa ao mesmo tempo

A grande questão do Duo, no fim, não é se ele é tecnicamente impressionante. É.

A questão é se o formato dobrável muda suficientemente a rotina para justificar pagar por ele.

Para um usuário que utiliza o telefone principalmente para mensagens, redes sociais, fotografia e chamadas, a tela de 7,6 polegadas pode parecer uma extravagância cara. Para quem trabalha pelo celular, viaja com frequência, consome muito conteúdo, joga ou alterna constantemente entre aplicativos, a lógica é diferente. O ganho não está apenas em ter uma tela maior, mas em reduzir a necessidade de alternar entre tarefas.

Esse ponto também ajuda a explicar por que o Duo pode encontrar um público particularmente interessante entre viajantes. Um telefone que pode funcionar como câmera, mapa, roteiro, central de reservas, entretenimento durante deslocamentos e pequena estação de trabalho não elimina a necessidade de outros dispositivos, mas pode reduzir a quantidade de vezes em que o viajante precisa tirá-los da mochila.

A Apple parece ter chegado ao mercado de dobráveis justamente tentando transformar essa versatilidade em uma característica natural do iPhone, em vez de apresentar o formato como uma demonstração tecnológica.

O iPhone Duo começa a ser vendido em um mercado que já conhece os dobráveis, mas chega a ele com uma vantagem que nenhum concorrente tinha até agora: a força do ecossistema do iPhone. Se a combinação entre hardware, iOS 27, aplicativos e Apple Intelligence funcionar como a Apple espera, o impacto do Duo poderá ser maior do que o número de aparelhos vendidos. Ele pode ajudar a transformar o dobrável de uma categoria alternativa de smartphone em uma nova possibilidade dentro do produto mais importante da companhia.

E talvez seja esse o aspecto mais interessante da primeira geração: o Duo não precisa convencer o mundo de que telas dobráveis existem. Essa etapa já passou. Seu verdadeiro teste será fazer o consumidor olhar para o iPhone convencional e, pela primeira vez, sentir que aquela tela que sempre pareceu grande talvez tenha deixado de ser grande o suficiente.

Detalhes do novo iPhone Duo, o iPhone dobrável da Apple

Para quem está pensando em comprar nos EUA

Para quem já tem viagem marcada para Orlando ou outra cidade americana, o iPhone Duo de 256 GB por US$ 1.999 é, no momento, uma compra potencialmente muito mais barata que a versão brasileira de R$ 21.999, mesmo considerando o sales tax americano e uma eventual tributação na chegada ao Brasil.

A recomendação mais segura é chegar à decisão considerando quatro pontos: preço final na loja americana, cotação efetivamente utilizada no cartão ou conta internacional, enquadramento do aparelho nas regras de bagagem da Receita Federal e compatibilidade do modelo com as redes brasileiras. O erro mais caro é fazer a conta usando apenas os US$ 1.999 da etiqueta e esquecer que a compra internacional envolve outras camadas.

Para quem já estará nos Estados Unidos, a matemática favorece bastante o mercado americano. Para quem teria de viajar especificamente para comprar o aparelho, a história é outra.

O primeiro dobrável da Apple começa uma nova fase

A chegada do iPhone Duo representa uma mudança que a Apple vinha evitando até agora. A empresa não foi a primeira a criar um smartphone dobrável, nem precisava ser. Seu objetivo parece ter sido esperar até que pudesse apresentar o formato como uma evolução natural do iPhone, com hardware, software, câmeras, bateria e inteligência artificial desenhados ao redor da mesma ideia.

O resultado é um aparelho caro, sofisticado e ambicioso, mas também mais difícil de classificar do que um simples “iPhone com tela maior”. Quando fechado, ele continua sendo um smartphone compacto. Quando aberto, aproxima-se da experiência de um pequeno tablet. E, entre esses dois estados, cria uma série de possibilidades que simplesmente não existiam em um iPhone convencional.

O Duo, portanto, não inaugura apenas uma nova categoria dentro do catálogo da Apple. Ele inaugura uma pergunta que a empresa provavelmente pretende responder nos próximos anos: até onde ainda podemos levar a ideia de um iPhone sem precisar abandonar aquilo que fez dele um iPhone?

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