Monstropolis começa a ganhar sabor no Disney World
Antes mesmo de os humanos atravessarem os portões de Monstropolis, a cidade já começa a revelar o que haverá nos pratos. A nova área inspirada em Monstros S.A. e Universidade Monstros, que será inaugurada no Disney’s Hollywood Studios em 2027, está sendo construída para fazer mais do que transportar os visitantes para o universo dos filmes. A proposta é permitir que eles experimentem a cidade também pelo paladar, com restaurantes, bebidas e pratos desenvolvidos para parecerem parte daquele mundo.
O desafio, nesse caso, é um tanto incomum. Monstros comem, bebem e frequentam restaurantes, mas os visitantes que chegarão a essa cidade são humanos. A equipe culinária da Disney precisou, portanto, imaginar o que seria uma comida suficientemente estranha para parecer autêntica em Monstropolis e, ao mesmo tempo, suficientemente familiar para continuar apetecível para uma família visitando o parque.
É dessa tensão que nasce o conceito gastronômico da nova área. Os chefs não estão simplesmente pegando pratos conhecidos e colocando olhos ou cores diferentes por cima. A equipe de culinária e bebidas trabalhou em conjunto com a Walt Disney Imagineering para estudar os filmes, identificar personagens, ambientes e pequenos detalhes da narrativa e transformá-los em comida, bebida e serviço. O objetivo é que o visitante reconheça referências que já conhece, mas encontre nelas alguma coisa que só poderia existir em Monstropolis.
O resultado promete ser uma das partes mais interessantes da nova expansão do Hollywood Studios, justamente porque a gastronomia não aparece como um complemento do cenário. Ela foi pensada como parte da história.

O desafio de alimentar humanos em uma cidade de monstros
Criar um restaurante em um parque temático já exige equilibrar sabor, operação, velocidade de serviço e apelo para diferentes públicos. Fazer isso dentro de Monstropolis acrescenta outro problema: como seria a culinária de uma sociedade formada por criaturas de diferentes tamanhos, formas e hábitos?
A equipe responsável pelo projeto chegou a discutir questões que normalmente não fazem parte do desenvolvimento de um cardápio. Monstros mastigam da mesma maneira que humanos? Eles sorvem? Quantos olhos seriam considerados aceitáveis em um prato? Até que ponto um alimento pode parecer estranho antes de deixar de parecer apetitoso?
Essas perguntas ajudam a explicar a direção escolhida. Em vez de tentar criar uma culinária completamente alienígena, os chefs partiram de pratos reconhecíveis e introduziram elementos inesperados. A própria equipe descreve essa abordagem como uma comida “grosseiramente divertida”: receitas familiares que recebem uma interpretação visual ou conceitual inspirada no universo dos monstros.
É uma decisão particularmente inteligente para um parque temático. Uma comida precisa funcionar para a criança que acabou de assistir a uma atração, para o adulto que cresceu com os filmes e para o visitante que talvez nem conheça profundamente a franquia. O prato precisa fazer sentido dentro da história, mas também precisa ser algo que as pessoas realmente queiram comer.
Essa combinação será colocada à prova em dois restaurantes que representam lados muito diferentes da vida cotidiana de Monstropolis.
Harryhausen’s leva a cidade para a mesa
O primeiro é o Harryhausen’s, restaurante de serviço de mesa que pretende reproduzir a atmosfera do estabelecimento visto em Monstros S.A.. A referência é particularmente importante para os fãs do filme porque Harryhausen’s não será apenas um restaurante com o nome conhecido: a própria experiência foi construída para fazer o visitante sentir que entrou naquele espaço.
No centro do restaurante estará um novo Audio-Animatronic inspirado no chef de sushi de Harryhausen’s. A figura utilizará oito tentáculos para preparar os alimentos, transformando o próprio processo de produção em parte do entretenimento.
A presença do personagem também ajuda a resolver uma questão fundamental da área: como fazer com que um restaurante pareça pertencer realmente a Monstropolis? A resposta está menos em colocar referências decorativas nas paredes e mais em criar uma cena que poderia existir dentro daquele universo.
O cardápio seguirá a mesma lógica. Entre as propostas em desenvolvimento estão tigelas de ramen inspiradas em sabores japoneses tradicionais, com elementos clássicos como caldo tonkotsu e macarrão alcalino. A diferença aparece nos detalhes, como kamaboko cortado em formato de olhos e ovos verdes.
É justamente nesse ponto que a culinária deixa de ser simplesmente temática. O prato continua reconhecível como ramen, mas a apresentação altera completamente a maneira como ele se encaixa na narrativa. Para uma criança, há uma criatura divertida dentro da tigela. Para um adulto familiarizado com a gastronomia japonesa, continuam presentes ingredientes e técnicas reconhecíveis.
Essa dualidade parece ser uma das principais preocupações do projeto. Harryhausen’s deverá funcionar como um restaurante de ocasião dentro do parque, mas sem se transformar em uma experiência tão formal que deixe de ser acessível às famílias.
A ideia é que seja sofisticado o suficiente para uma refeição especial e divertido o bastante para que crianças também se sintam parte da experiência. Em um parque temático, esse equilíbrio é mais difícil do que parece.

Archie’s Scare Pig Pizza resgata uma memória de Universidade Monstros
Do outro lado está o Archie’s Scare Pig Pizza, restaurante de serviço rápido inspirado na pizzaria frequentada pelos estudantes de Universidade Monstros. A proposta é menos sofisticada e mais cotidiana, como se o visitante tivesse entrado em um dos lugares onde os próprios personagens fariam uma pausa entre as aulas.
Essa diferença de escala é importante para a construção da cidade. Se Harryhausen’s representa uma noite especial em Monstropolis, Archie’s Scare Pig Pizza representa a vida comum. É o lugar para comer pizza, encontrar amigos e seguir o dia, exatamente como acontece em qualquer cidade.
A equipe culinária partiu também de uma memória humana bastante universal: a pizzaria do bairro. Em vez de criar algo tão conceitual que deixasse de parecer comida de verdade, os chefs buscaram reproduzir aquela sensação familiar e acrescentaram referências ao universo de Universidade Monstros.
O resultado é uma proposta que pode acabar sendo especialmente popular entre famílias. Restaurantes de serviço rápido têm uma função estratégica dentro de um parque: precisam oferecer refeições relativamente práticas, agradar a grupos com gostos diferentes e ainda proporcionar algum elemento que faça a experiência parecer diferente de simplesmente parar para comer.
Archie’s Scare Pig Pizza terá justamente essa função dentro de Monstropolis. A comida precisa ser conveniente, mas o ambiente e os detalhes narrativos devem fazer com que a parada seja lembrada.
O refrigerante que nenhum humano conhecia
Entre as novidades em desenvolvimento está também uma bebida que pode acabar se tornando uma das referências mais fotografadas da nova área: o Blort.
Dentro de Monstropolis, o Blort é descrito como um dos refrigerantes mais populares da cidade. O problema para a equipe culinária é óbvio: nenhum humano sabe exatamente qual deveria ser o sabor de uma bebida que só existia naquele universo.
Essa ausência de uma referência real abriu espaço para uma criação completamente nova. A proposta em desenvolvimento é uma versão congelada e roxa do Blort, finalizada com uma espuma de Scream Apple.
É um exemplo perfeito do tipo de liberdade criativa que Monstropolis permite. Em outras áreas da Disney, a equipe pode estar tentando reproduzir uma comida que o visitante já viu em um filme ou que existe em determinado país. Aqui, os limites são diferentes porque o alimento não existe fora da ficção.
A equipe pode inventar o sabor e, ao mesmo tempo, estabelecer aquilo que o visitante passará a considerar como o sabor do Blort.
Esse tipo de criação pode parecer pequeno diante de uma nova área inteira, mas é justamente o que ajuda a construir a sensação de mundo completo. Uma cidade fictícia se torna mais convincente quando não existe apenas para abrigar atrações, mas também possui restaurantes, bebidas, hábitos e referências próprias.
Os filmes são o ponto de partida, não o limite
Um dos aspectos mais interessantes do projeto gastronômico de Monstropolis é a maneira como os filmes estão sendo utilizados como material de pesquisa.
A equipe de culinária trabalhou com a Walt Disney Imagineering para estudar a narrativa de Monstros S.A. e Universidade Monstros. Personagens e locais servem como pontos de partida, mas o objetivo não é simplesmente reproduzir na vida real aquilo que já apareceu na tela.
Existe uma diferença importante entre uma réplica e uma expansão de universo. Se o restaurante apenas reproduzisse um cenário conhecido, o visitante teria uma referência visual interessante, mas a experiência terminaria aí. Ao criar pratos e bebidas que nunca apareceram nos filmes, a Disney consegue imaginar o que os personagens comeriam quando a câmera não estivesse olhando.
É uma das ferramentas mais poderosas da gastronomia em parques temáticos: preencher as lacunas de uma história.
O visitante sabe que Monstropolis existe dentro de um filme, mas quando encontra um restaurante que parece funcionar independentemente dele, a cidade ganha profundidade. O cardápio passa a sugerir uma cultura gastronômica própria, mesmo que essa cultura tenha sido criada especialmente para o parque.
Essa abordagem também abre espaço para detalhes que dificilmente seriam possíveis em uma produção cinematográfica. No restaurante, um prato pode ser manipulado, servido, fotografado e compartilhado. Uma bebida pode ter textura, aroma e temperatura. O visitante pode experimentar algo que, até então, só existia como uma ideia visual.
Quando a comida também conta a história
A chegada de Monstropolis ao Disney’s Hollywood Studios representa uma mudança importante na maneira como o parque utiliza a gastronomia como ferramenta narrativa.
Durante muito tempo, restaurantes temáticos foram tratados principalmente como extensões dos cenários. Hoje, os melhores projetos de parques estão fazendo o caminho contrário: a comida ajuda a construir o próprio mundo.
Harryhausen’s e Archie’s Scare Pig Pizza são bons exemplos dessa evolução. Os dois restaurantes pertencem à mesma cidade fictícia, mas contam histórias diferentes. Um representa uma experiência mais sofisticada, enquanto o outro remete à rotina dos estudantes de Universidade Monstros. Os cardápios também acompanham essas diferenças.
Essa variedade será especialmente importante em uma área que pretende receber visitantes de diferentes idades. Uma família pode ter uma criança interessada nos personagens e um adulto interessado na gastronomia; um fã dos filmes pode procurar cada referência escondida, enquanto outro visitante simplesmente estará procurando uma boa refeição depois de algumas horas de parque.
Quando esses públicos conseguem encontrar algo que lhes interessa no mesmo lugar, a gastronomia deixa de ser uma necessidade logística e passa a aumentar o tempo que o visitante quer permanecer naquela área.
E isso tem consequências para a própria experiência do parque. Quanto mais motivos existem para ficar, menos a área funciona como um corredor entre uma atração e outra.


Monstropolis ainda nem abriu, mas já está contando sua história
A previsão é que Monstropolis receba os primeiros visitantes em 2027, abrindo pela primeira vez para humanos as portas dessa cidade conhecida pelos fãs de Monstros S.A.. As atrações serão, naturalmente, uma parte central da novidade, mas os restaurantes podem acabar desempenhando um papel menos óbvio e igualmente importante.
É pela comida que o visitante permanece. É durante uma refeição que uma família comenta o que acabou de experimentar. É diante de uma bebida diferente que alguém para para tirar uma fotografia. E é um prato aparentemente simples, mas cheio de referências, que pode fazer um fã reconhecer um detalhe que outra pessoa jamais teria percebido.
A Disney parece estar apostando justamente nessa camada adicional de imersão. Em vez de criar alimentos que apenas tenham aparência “monstruosa”, a equipe está tentando responder a uma pergunta mais interessante: como seria comer em Monstropolis se essa cidade realmente existisse?
Ainda não é possível provar o resultado. Mas as primeiras pistas indicam que a resposta não será apenas uma coleção de pratos coloridos e sobremesas temáticas. Haverá ramen, pizza, bebidas congeladas e outras comidas familiares, reinterpretadas por uma cidade onde oito tentáculos podem preparar o jantar e onde ninguém parece achar estranho encontrar olhos demais no prato.
Talvez seja justamente aí que a gastronomia de Monstropolis encontre sua maior força. Para fazer uma cidade fictícia parecer real, a Disney não precisa inventar uma comida que humanos jamais comeriam. Precisa criar pratos que consigam fazer o visitante acreditar, por alguns minutos, que existe uma cidade inteira do outro lado da tela — e que seus moradores simplesmente acabaram de convidá-lo para jantar.
TripsByBibs
Monstropolis ainda nem abriu, mas o planejamento já começou. A TripsByBibs acompanha cada novidade para transformar as próximas grandes experiências da Disney em um roteiro que faça sentido para a sua viagem.
