Arte conceitual da reimaginação da Spaceship Earth, atração dentro do símbolo do Epcot que diz "um novo capítulo começa"

Spaceship Earth e Figment: o futuro do EPCOT

O Futuro do EPCOT Começa Dentro da Spaceship Earth

Poucas estruturas são tão imediatamente reconhecíveis quanto a grande esfera prateada que domina a entrada do EPCOT. Para milhões de visitantes, a Spaceship Earth é a primeira imagem do parque — e, para quem conhece sua história, também representa uma das ideias mais ambiciosas já colocadas em prática pela Disney: contar a trajetória da humanidade e, ao mesmo tempo, provocar uma pergunta sobre aquilo que ainda está por vir.

Agora, essa história vai avançar novamente.

Durante o Horizons: A Carousel of Progress, apresentado no Honda Center como parte da D23: The Ultimate Disney Fan Event, a Disney confirmou que a Spaceship Earth será reimaginada, levando a atração para a era da internet e além. A novidade representa a primeira grande atualização da atração em quase duas décadas e coloca novamente a comunicação, a tecnologia e, principalmente, a conexão humana no centro de sua narrativa.

Mas essa não foi a única notícia capaz de provocar uma reação imediata dos fãs do EPCOT.

No mesmo showcase, a Disney confirmou que Dreamfinder e Figment voltarão a estar juntos em uma nova jornada pela imaginação.

São dois anúncios diferentes, mas profundamente conectados. Um olha para o futuro da humanidade. O outro recupera um pedaço da identidade mais nostálgica do EPCOT.

E talvez essa seja a melhor maneira de entender o momento atual do parque: o EPCOT está tentando imaginar seu futuro sem esquecer aquilo que fez tantas pessoas se apaixonarem por ele no passado.

Spaceship Earth finalmente ganha um novo capítulo

A revelação aconteceu quando o apresentador Neil Patrick Harris conduzia a apresentação sobre o futuro da Disney Experiences.

Ao lado dele estavam a Imagineer Ali Rubinstein e o criador de conteúdo e engenheiro Mark Rober, conhecido por seus projetos de ciência e engenharia no YouTube.

O assunto parecia inevitável.

Como falar sobre o futuro da Disney Experiences sem falar da estrutura que, desde a inauguração do EPCOT, simboliza justamente a evolução da humanidade?

A resposta veio com a confirmação de que a Walt Disney Imagineering está trabalhando em uma versão reimaginada da Spaceship Earth.

A atração continuará explorando a evolução da comunicação humana, mas sua narrativa será ampliada para abordar um conceito que se tornou ainda mais importante no mundo contemporâneo: a conexão entre as pessoas.

A Disney descreve a nova versão como uma jornada que levará os visitantes à era da internet e além, atualizando o percurso para refletir a maneira como a tecnologia transformou a comunicação e a sociedade.

Ainda não foram divulgados todos os detalhes da nova experiência, o que significa que muitas perguntas permanecem em aberto. Quais cenas serão modificadas? Quanto da narrativa atual será preservado? Haverá novos ambientes, personagens ou efeitos? Como a Imagineering representará as próximas etapas da comunicação humana?

Por enquanto, a Disney mantém essas respostas em segredo. Mas o conceito apresentado já revela algo importante: a intenção não parece ser simplesmente modernizar cenários antigos. A proposta é atualizar a própria pergunta que a atração faz aos visitantes.

Arte conceitual da reimaginação da Spaceship Earth, atração dentro do símbolo do Epcot que diz "um novo capítulo começa"

Uma atração que já nasceu pensando no futuro

A Spaceship Earth nunca foi uma atração sobre tecnologia por si só.

Desde sua criação, ela utiliza o avanço tecnológico como ferramenta para contar uma história muito maior: a maneira como os seres humanos aprenderam a registrar, transmitir e compartilhar conhecimento.

A jornada começa na pré-história e acompanha momentos decisivos da comunicação, passando pela escrita, pelo desenvolvimento de sistemas de registro, pela imprensa e por outras transformações que alteraram a maneira como as sociedades se conectam.

Por isso, levar a atração para a era da internet não significa apenas adicionar computadores ou telas.

A internet mudou a própria escala da comunicação.

O conhecimento que antes precisava viajar fisicamente passou a circular instantaneamente. Uma mensagem pode atravessar oceanos em segundos. Pessoas separadas por milhares de quilômetros conseguem trabalhar, estudar, conversar e criar juntas.

Ao mesmo tempo, a tecnologia também transformou a maneira como nos relacionamos, consumimos informação e construímos comunidades.

É justamente essa contradição que torna o conceito de conexão humana tão interessante para uma nova versão da Spaceship Earth.

A atração pode deixar de perguntar apenas como chegamos até aqui para explorar também o que faremos com a capacidade de estarmos tão conectados.

Uma das estruturas mais impressionantes da Disney

Antes mesmo de entrar na atração, o visitante já está diante de uma das maiores demonstrações de engenharia da Disney.

A Spaceship Earth possui aproximadamente 180 pés de altura, o equivalente a cerca de 55 metros, e abriga aproximadamente 2,2 milhões de pés cúbicos de espaço interno.

A estrutura é uma esfera geodésica, formada por uma complexa rede de componentes que cria sua aparência característica.

O conceito de esfera geodésica ganhou notoriedade especialmente a partir do trabalho do arquiteto e inventor Buckminster Fuller, cuja visão sobre estruturas eficientes e sustentáveis influenciou o desenvolvimento de diversas construções no século XX.

No EPCOT, essa linguagem arquitetônica ganhou uma dimensão simbólica.

A esfera não possui simplesmente uma aparência futurista. Sua própria forma sugere uma ideia de mundo compartilhado, um planeta visto como um sistema único.

É uma escolha especialmente apropriada para um parque que nasceu com a ambição de falar sobre comunidade, tecnologia, cultura e futuro.

A viagem dentro da esfera é tão complexa quanto parece

Outro detalhe que costuma passar despercebido é a engenharia do sistema de transporte da atração.

Os veículos da Spaceship Earth não funcionam como um trem convencional.

Eles percorrem um sistema contínuo enquanto sobem em espiral pelo interior da estrutura. Na parte superior, o veículo faz a transição e começa a descida, dessa vez percorrendo o trajeto em sentido inverso.

O resultado é uma experiência na qual o visitante não precisa simplesmente “voltar” pelo mesmo caminho.

A própria arquitetura da atração permite que a viagem faça uma curva narrativa: primeiro, o visitante olha para o passado; depois, começa a contemplar o futuro.

É uma solução que combina engenharia e storytelling de maneira muito característica da Walt Disney Imagineering.

Walter Cronkite e as diferentes vozes da Spaceship Earth

A Spaceship Earth também passou por diferentes fases ao longo de sua história. A versão de roteiro introduzida em 1986, por exemplo, contou com a narração do lendário jornalista Walter Cronkite.

Ao longo dos anos, a atração teve quatro narradores diferentes, acompanhando as diferentes versões de sua história. Essa evolução é importante porque demonstra que a Spaceship Earth nunca foi uma atração completamente estática.

Sua essência permaneceu, mas sua interpretação mudou conforme a visão da Disney sobre comunicação, tecnologia e futuro também se transformou.

Agora, quase 20 anos depois da última grande atualização, a atração entra novamente em um desses momentos de transição.

O que significa levar a Spaceship Earth para a era da internet?

Essa talvez seja a pergunta mais interessante deixada pelo anúncio. A internet já não é uma novidade tecnológica. Ela se tornou infraestrutura básica da vida cotidiana.

Smartphones, redes sociais, inteligência artificial, videoconferências, computação em nuvem e comunicação instantânea mudaram profundamente a forma como o mundo funciona.

Uma atração criada para explicar a importância da comunicação precisa, inevitavelmente, lidar com esse novo cenário.

Mas a Disney parece estar escolhendo uma abordagem mais ampla.

Em vez de transformar a Spaceship Earth em uma espécie de cápsula do tempo tecnológica, a Imagineering pretende usar a internet como ponto de partida para falar sobre conexão humana.

Isso mantém a atração alinhada à identidade histórica do EPCOT. Porque a tecnologia nunca foi o verdadeiro protagonista da Spaceship Earth. O protagonista sempre foi o ser humano.

E o futuro não termina na internet

A Disney também promete levar a atração “além” da era da internet.

Essa pequena expressão pode ser uma das mais importantes do anúncio.

A Spaceship Earth sempre terminou olhando para frente. Seu conceito depende da ideia de que a história da humanidade não está concluída.

Agora, pela primeira vez em quase 20 anos, a Imagineering terá a oportunidade de imaginar o que vem depois da transformação digital.

O que acontece quando a comunicação deixa de depender das interfaces que conhecemos hoje? Como as novas tecnologias alterarão nossa maneira de aprender, criar e trabalhar? Como a humanidade continuará se conectando?

A nova Spaceship Earth ainda não respondeu a essas perguntas. E talvez seja justamente essa ausência de respostas que torne a reimaginação tão coerente com a proposta original da atração.

O futuro, afinal, não deveria ser apresentado como algo já resolvido.

Dreamfinder e Figment estão voltando

Se a nova Spaceship Earth representa o olhar do EPCOT para o futuro, o retorno de Dreamfinder e Figment representa uma reconexão com uma das eras mais queridas da história do parque.

O anúncio aconteceu nos momentos finais do Disney Experiences Showcase e provocou uma das reações mais fortes do público.

Thomas Mazloum, presidente da Disney Experiences, confirmou que a empresa está iniciando uma nova jornada pela imaginação no EPCOT com Dreamfinder e Figment.

A frase mais importante talvez tenha vindo logo depois: “Nós ouvimos vocês.” É uma declaração pequena, mas significativa.

Durante anos, os fãs do EPCOT pediram o retorno de Dreamfinder, personagem que havia desaparecido das atrações do parque décadas atrás.

Agora, a Disney finalmente confirmou que os dois voltarão a dividir uma experiência. Ainda não foram revelados todos os detalhes da nova atração ou experiência, e a companhia deixou claro que haverá mais informações no futuro. Mas o simples anúncio do reencontro já encerra uma das maiores lacunas emocionais deixadas pela evolução do pavilhão Imagination!.

Dreamfinder e Figment no palco da D23 2026 anunciam o retorno do mascote ao parque

Quem é Figment?

Para quem visitou o EPCOT nas últimas décadas, Figment provavelmente dispensa apresentações.

O pequeno dragão roxo, com grandes olhos amarelos e chifres que lembram os de um boi, tornou-se um dos personagens mais associados ao parque.

Mas sua importância vai muito além de aparecer em produtos ou em encontros com visitantes.

Figment estreou no EPCOT em 1983, quando a versão original de Journey Into Imagination abriu no pavilhão Imagination!.

Criado como uma manifestação da imaginação, ele acompanhava Dreamfinder em uma viagem que incentivava os visitantes a observar o mundo de maneiras diferentes.

A ideia era simples e poderosa: a imaginação não é apenas uma habilidade das crianças. Ela é uma ferramenta humana. É aquilo que permite inventar, criar, questionar e transformar.

Por isso, Figment acabou se tornando muito mais do que um personagem de uma atração. Ele se tornou um símbolo do próprio EPCOT.

Como Figment virou um fenômeno entre os fãs

A popularidade de Figment ganhou uma nova dimensão nos últimos anos.

Desde a primeira edição do EPCOT International Festival of the Arts, em 2017, o personagem passou a ocupar um lugar central na identidade visual do evento.

Sua imagem colorida e divertida combina perfeitamente com um festival dedicado à arte, à criatividade e à imaginação.

Mas o verdadeiro fenômeno aconteceu em 2022, quando a Disney lançou um balde de pipoca colecionável inspirado em Figment.

As filas cresceram rapidamente e o item se transformou em um dos exemplos mais conhecidos de como o merchandising dos parques pode ganhar vida própria entre os fãs.

O episódio revelou algo importante.

Figment não era apenas uma lembrança nostálgica de visitantes que conheceram a versão original de Journey Into Imagination.

Havia uma nova geração interessada no personagem. E essa conexão ajudou a demonstrar que o dragão roxo ainda tinha espaço no futuro do EPCOT.

E quem é Dreamfinder?

Para entender por que seu retorno é tão significativo, é preciso voltar a 1983.

Na primeira versão de Journey Into Imagination, Dreamfinder era o guia da aventura.

Ele era um inventor, explorador e contador de histórias que coletava sons, cores, ideias e tudo aquilo que pudesse despertar a imaginação.

Ao seu lado estava Figment. A relação entre os dois era essencial para a atração.

Dreamfinder representava a experiência e a curiosidade de um criador adulto. Figment representava a espontaneidade e a energia da imaginação.

Juntos, os dois ensinavam aos visitantes que criatividade não acontece simplesmente quando alguém recebe uma ideia pronta. Ela precisa ser cultivada.

Quinze anos que marcaram o EPCOT

Dreamfinder permaneceu como personagem central de Journey Into Imagination por 15 anos, de 1983 a 1998.

Durante esse período, milhões de visitantes conheceram o personagem e associaram sua imagem ao conceito de imaginação que fazia parte da identidade do EPCOT original.

A saída de Dreamfinder e as mudanças posteriores na atração tornaram-se um dos assuntos mais discutidos entre os fãs do parque.

Para uma geração de visitantes, ele não era apenas um personagem. Era parte da experiência de infância.

É por isso que o anúncio de seu retorno tem um significado diferente de simplesmente recuperar uma figura antiga. A Disney está recuperando uma relação.

Uma pequena faísca que atravessou gerações

A famosa música de Journey Into Imagination ajudou a transformar a ideia de “uma pequena faísca” em uma espécie de lema não oficial do EPCOT.

E existe uma razão para essa mensagem continuar funcionando tantos anos depois.

O parque mudou. As atrações mudaram. A tecnologia mudou. O próprio conceito de EPCOT passou por transformações profundas desde 1982.

Mas a ideia de que uma pequena ideia pode desencadear algo muito maior continua extremamente atual. É justamente por isso que Figment sobreviveu às diferentes versões da atração. Ele representa uma ideia que não envelhece.

A imaginação continua sendo necessária independentemente da tecnologia disponível.

Um EPCOT que olha para trás para conseguir avançar

Os dois anúncios apresentados na D23 podem ser lidos como movimentos complementares. A Spaceship Earth será reimaginada para falar sobre a era da internet e sobre o futuro da conexão humana.

Dreamfinder e Figment retornarão para reacender uma ideia que sempre esteve no coração do EPCOT: a imaginação como ponto de partida para aquilo que ainda não existe. De certa forma, o parque está recuperando duas de suas perguntas fundamentais.

Como chegamos até aqui? E: O que podemos imaginar a partir daqui?

A primeira continua sendo a essência da Spaceship Earth.

A segunda pertence a Figment e Dreamfinder.

O futuro do EPCOT pode estar justamente nessa combinação

Durante muitos anos, discussões sobre o EPCOT ficaram divididas entre duas visões.

De um lado, visitantes que desejavam que o parque avançasse, incorporando novas tecnologias, franquias e experiências.

Do outro, fãs que sentiam falta da identidade mais conceitual do EPCOT das primeiras décadas.

Os anúncios da D23 sugerem uma tentativa interessante de aproximar essas duas perspectivas.

A Disney não está anunciando simplesmente o retorno de uma atração antiga exatamente como era. Também não está descartando tudo o que veio antes para começar novamente do zero.

A estratégia parece ser usar o passado como matéria-prima para imaginar o próximo capítulo.

A Spaceship Earth continuará sendo uma jornada sobre a humanidade, mas olhará para uma nova era. Figment continuará sendo o símbolo da imaginação, mas finalmente reencontrará Dreamfinder.

É uma maneira bastante apropriada de atualizar um parque cujo próprio nome carrega a ideia de experimentar, criar e imaginar.

O que ainda não sabemos

Apesar da empolgação, os anúncios ainda deixaram muitas perguntas sem resposta, a Disney não divulgou uma data para a abertura da nova versão da Spaceship Earth.

Também não foram apresentados detalhes completos sobre quais cenas serão alteradas, quanto da atração atual permanecerá ou quais novas tecnologias serão utilizadas.

No caso de Dreamfinder e Figment, a companhia também não revelou exatamente qual será o formato da nova experiência, nem quando ela estará disponível para os visitantes.

Isso significa que, por enquanto, os fãs têm apenas o conceito e a promessa de que mais informações serão reveladas posteriormente. E talvez seja melhor assim.

Para um parque dedicado à ideia de futuro, ainda existir espaço para imaginar o que vem depois parece bastante apropriado.

O EPCOT está voltando a fazer uma pergunta importante

A Spaceship Earth termina sua jornada tradicional levando os visitantes a olhar para o futuro. Figment começa sua aventura lembrando que tudo pode nascer de uma ideia.

Agora, essas duas mensagens voltam a ganhar força dentro do mesmo parque. O EPCOT não precisa escolher entre nostalgia e inovação.

Pode usar a nostalgia para recuperar aquilo que fazia sentido e a inovação para descobrir como essas ideias podem continuar relevantes. É exatamente isso que torna os anúncios da D23 tão interessantes.

A nova Spaceship Earth não será apenas uma atualização tecnológica. O retorno de Dreamfinder não será apenas uma homenagem aos fãs.

Juntos, eles apontam para uma visão de EPCOT em que conexão e imaginação voltam a ocupar o centro da experiência.

E, se existe uma coisa que a história do parque ensinou, é que as melhores transformações começam com uma pequena ideia.

Às vezes, ela assume a forma de uma esfera geodésica de 55 metros.

Às vezes, tem duas asas, olhos amarelos e é completamente roxa.

E, no caso do EPCOT, parece que as duas estão prestes a voar novamente em direção ao futuro.

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