Tropical Americas vai reinventar o Animal Kingdom
Há uma mudança profunda acontecendo no Disney’s Animal Kingdom, e ela vai muito além da substituição de uma área temática por outra. O parque que nasceu com a ambição de aproximar fantasia, conservação e natureza está prestes a ganhar uma nova paisagem narrativa — uma que combina uma família colombiana, uma civilização ancestral, um arqueólogo em busca de uma criatura lendária e dezenas de espécies animais em uma mesma história.
É desse encontro que nascerá Tropical Americas, uma nova área de aproximadamente 11 acres que ocupará o espaço anteriormente associado a DinoLand U.S.A. e que tem inauguração prevista para 2027. A Disney já batizou o novo vilarejo de Pueblo Esperanza, e os primeiros detalhes revelam uma proposta particularmente interessante: em vez de simplesmente transportar franquias conhecidas para dentro do parque, a nova área tenta fazer com que personagens, arquitetura, natureza, cultura e narrativa pertençam ao mesmo universo.
No centro dessa transformação estarão duas atrações de grande porte. Uma delas levará os visitantes para dentro da Casita de Encanto, durante o dia em que Antonio Madrigal recebe seu dom. A outra colocará Indiana Jones diante de um templo maia, de uma lenda ancestral e de uma serpente gigantesca chamada Tsukán.
E existe uma razão para essas duas histórias funcionarem juntas melhor do que pode parecer à primeira vista: As duas falam, de maneiras completamente diferentes, sobre a relação entre seres humanos e natureza. É justamente aí que Tropical Americas encontra a identidade original do Animal Kingdom.

Mais do que uma nova área: uma mudança de linguagem
Desde sua inauguração, em 1998, o Disney’s Animal Kingdom ocupou uma posição singular entre os parques da Disney. Não era apenas um parque de atrações com animais, nem uma reprodução de zoológico com personagens. A proposta sempre esteve em criar ambientes em que natureza, cultura, fantasia e aventura pudessem coexistir.
A própria estrutura do parque deixa isso evidente. Harambe não funciona apenas como uma representação visual da África; Anandapur não é simplesmente um conjunto de fachadas asiáticas; Pandora transforma a natureza alienígena em cenário narrativo. A Tree of Life, por sua vez, coloca a interconexão entre todas as formas de vida literalmente no centro do parque, com centenas de animais esculpidos em sua estrutura.
Tropical Americas segue essa mesma lógica, mas com uma diferença importante: a nova área nasce em um momento em que o público já espera que grandes propriedades intelectuais tenham um papel cada vez maior nos parques.
A solução encontrada pela Imagineering é interessante. Em vez de criar uma área exclusivamente de Encanto ou exclusivamente de Indiana Jones, a Disney está construindo um lugar que funciona como cenário para ambas as histórias.
Esse lugar é Pueblo Esperanza.
A ideia é que o visitante não entre em um “land de Encanto” e depois atravesse para um “land de Indiana Jones”. Ele estará dentro de um vilarejo inspirado nas Américas tropicais, com uma história própria, arquitetura própria, alimentação, comércio e espaços públicos. Dentro dele, diferentes experiências contam capítulos distintos daquela região imaginada pela Disney.
É uma abordagem semelhante àquela que fez Harambe e Anandapur funcionarem tão bem: o visitante não está apenas visitando atrações; está chegando a um lugar que parece existir antes e depois da sua presença.
A Disney descreve Pueblo Esperanza como uma comunidade com história, cultura e natureza próprias, incluindo uma grande fonte central onde os moradores poderão se reunir e contar histórias, além de uma grande hacienda que será um dos maiores restaurantes de serviço rápido do Walt Disney World Resort.
Essa preocupação com a construção de um “lugar” — e não apenas de uma coleção de atrações — pode ser um dos elementos mais importantes para entender o que está sendo criado.
A Casita finalmente ganha uma atração própria
Para quem assistiu a Encanto, existe uma pergunta particularmente interessante: como transformar uma casa que já é praticamente uma personagem em uma atração?
A resposta da Disney começa pelo próprio momento escolhido para a história.
Em Antonio’s Fiesta de Encanto, os visitantes chegarão à Casita justamente no dia em que Antonio recebe seu dom mágico: a capacidade de conversar com os animais.

A escolha não é casual.
No filme, esse momento representa uma passagem importante para Antonio e para toda a família Madrigal. Ao transformar a cerimônia em ponto de partida da atração, a Disney consegue preservar um acontecimento reconhecível da animação e, ao mesmo tempo, criar espaço para uma aventura completamente nova.
A atração será a primeira experiência de percurso de Encanto em um parque Disney. E seu objetivo não será simplesmente reproduzir cenas conhecidas do filme.
A Imagineering recebeu uma oportunidade mais interessante: entrar nos espaços da Casita que nunca foram mostrados na animação.
Durante o desenvolvimento do projeto, Jared Bush, diretor e roteirista de Encanto e diretor criativo da Walt Disney Animation Studios, participou da expansão desse universo. A ideia foi imaginar novos cômodos e possibilidades para a casa, mantendo a personalidade que fez da Casita uma das personagens mais memoráveis do filme.
Esse detalhe é particularmente importante.
Uma adaptação literal de Encanto poderia se limitar a transportar a família Madrigal para uma atração. A proposta de Tropical Americas é diferente: permitir que o visitante descubra partes da casa que sequer existiam no filme.
Em outras palavras, a Disney não está apenas recriando Encanto.
Está aumentando o mundo de Encanto.
Quando os móveis da Casita viram seu veículo
Talvez uma das ideias mais interessantes da atração esteja justamente em algo que poderia passar despercebido: o veículo.
Os visitantes serão transportados por veículos inspirados nos próprios móveis encantados da Casita. E eles não funcionarão apenas como meios de transporte entre cenas.
A intenção é que esses elementos tenham comportamento e personalidade, reagindo ao ambiente e aos acontecimentos da mesma maneira que a casa reage na animação.
É uma escolha coerente com a linguagem de Encanto porque, naquele universo, uma porta não é apenas uma porta. Uma escada pode se mover. Uma parede pode responder. Uma cadeira pode participar da ação.
A própria arquitetura da atração, portanto, passa a fazer parte da narrativa.
Esse tipo de integração é especialmente valioso em atrações familiares. Uma criança pode simplesmente enxergar uma casa viva e divertida; um adulto que conhece o filme provavelmente perceberá que a Imagineering está tentando reproduzir a lógica interna da Casita, e não apenas sua aparência.
A diferença parece pequena no papel, mas é justamente esse tipo de detalhe que costuma separar uma decoração temática de uma experiência imersiva.
Uma floresta colombiana dentro do quarto de Antonio
Depois de entrar na Casita, a jornada levará os visitantes ao andar superior, em direção ao quarto de Antonio.
E é nesse momento que a atração muda completamente de escala.
O quarto será transformado em uma floresta tropical exuberante, conectando diretamente o dom do personagem à biodiversidade da Colômbia. Mais de 50 espécies de animais estarão presentes na experiência.
Entre as criaturas já reveladas estão uma capivara, um tucano e um burro — mas a intenção da Disney vai muito além de criar uma coleção de animais simpáticos.
A equipe de Imagineering trabalhou em conjunto com a área de Animals, Science and Environment da Disney para garantir que os animais representados na atração sejam espécies realmente encontradas na Colômbia.
Essa decisão ajuda a estabelecer uma ponte importante entre a fantasia de Encanto e o compromisso do Animal Kingdom com o mundo natural.
A capivara não está ali apenas porque é fofa, o tucano não está ali apenas porque combina com uma floresta tropical e sim porque eles pertencem àquele ecossistema. Essa camada de autenticidade é uma das características mais interessantes do projeto.
A Disney já possui uma longa tradição de utilizar pesquisa de campo para desenvolver ambientes dos parques, e Tropical Americas amplia essa prática. Os Imagineers viajaram para a Colômbia para estudar cores, materiais, arquitetura, cultura e paisagens associadas ao universo de Encanto. A própria equipe descreve essas viagens como uma forma de compreender o lugar antes de transformá-lo em experiência.
É uma diferença importante entre simplesmente “se inspirar” em um destino e tentar entender por que determinado lugar se parece, funciona e se sente daquela maneira.
A pesquisa por trás da fantasia
Existe uma tendência interessante na evolução dos parques Disney: quanto mais sofisticada fica a tecnologia, mais importante parece se tornar aquilo que não pode ser produzido por computador.
Tropical Americas está sendo desenvolvido com esse princípio.
No caso da Colômbia, a equipe realizou pesquisas diretamente em locais e comunidades relacionados às inspirações de Encanto. O processo também conversa com o trabalho realizado pelos cineastas da própria Walt Disney Animation Studios durante a criação do filme.
Em 2026, a Disney voltou a mostrar parte desse processo, revelando que a equipe do projeto realizou novas pesquisas em Honduras e visitou Copán, um dos mais importantes sítios arqueológicos associados à antiga civilização maia. Os Imagineers estudaram arquitetura, materiais, técnicas de escultura e tradições artísticas locais.
Alguns materiais encontrados durante essas pesquisas também deverão influenciar fisicamente a construção de Tropical Americas.
É um daqueles aspectos que dificilmente aparecem na primeira fotografia de uma nova área, mas que podem determinar como ela será percebida depois de inaugurada.
A textura de uma parede, a forma como uma pedra envelhece, o desenho de uma coluna ou a maneira como uma construção parece ter sido modificada ao longo das décadas ajudam a criar aquilo que a Imagineering chama, em essência, de um lugar “vivido”.
E esse conceito será fundamental para Pueblo Esperanza.
El Carrusel de los Animalitos: o pequeno detalhe que pode conquistar as famílias
Nem tudo em Tropical Americas será construído em torno de adrenalina.
No coração da nova área estará El Carrusel de los Animalitos, uma releitura do tradicional carrossel da Disney.

A atração terá 22 animais esculpidos à mão, inspirados em personagens de Disney e Pixar. Entre os personagens já revelados estão Simba, Bisonho, Kuzco, Heimlich, Pascal, Pua, Squirt e Sabidão.
A escolha desses personagens é curiosa porque não segue necessariamente uma única franquia ou universo.
Ela segue a lógica do próprio vilarejo.
Um artesão local, dentro da narrativa de Pueblo Esperanza, teria criado o carrossel inspirado em seus animais favoritos das histórias da Disney. O resultado é uma atração que funciona como objeto daquele lugar, e não simplesmente como um brinquedo colocado dentro dele.
É também uma decisão estratégica para famílias.
Enquanto Indiana Jones será construída em torno de aventura e Encanto terá uma narrativa mais elaborada, o carrossel oferece uma experiência de baixa intensidade que pode ser compartilhada por crianças pequenas, pais e avós.
Esse equilíbrio é importante em um parque que recebe visitantes com idades muito diferentes.
E existe ainda uma qualidade nostálgica na proposta. O carrossel é uma das formas mais antigas de atração dos parques Disney, mas aqui ele recebe uma identidade completamente nova.
É o passado da Disney sendo reinterpretado dentro do futuro do Animal Kingdom.
Indiana Jones entra em território maia
Se Encanto representa a natureza através da magia e da família, Indiana Jones and the Myth of the Jade Serpent levará essa mesma relação para o território da aventura arqueológica.

O nome já revela uma parte essencial da história: a presença de uma serpente de jade e de uma criatura lendária conhecida como Tsukán.
A atração será uma experiência inédita de Indiana Jones nos parques Disney, desenvolvida especificamente para o Animal Kingdom.
E há um detalhe particularmente significativo para os fãs do personagem: Harrison Ford participou diretamente da criação do novo Audio-Animatronic de Indiana Jones, servindo como modelo para a figura.
Segundo a apresentação realizada na D23, será a primeira vez que a própria imagem de Ford será utilizada dessa maneira em uma atração Disney em qualquer lugar do mundo.
Não se trata apenas de uma homenagem ao ator.
Para uma atração baseada em uma franquia cinematográfica tão associada à presença física de seu protagonista, ter uma figura construída a partir do próprio rosto de Ford ajuda a diminuir a distância entre personagem e intérprete.
É uma espécie de assinatura física do Indiana Jones que o público conhece do cinema.
Um templo maia escondido sob a floresta
A história começa com Indiana Jones explorando um antigo templo maia perfeitamente preservado.
Até aí, tudo parece exatamente como uma aventura do arqueólogo deveria começar, mas existe uma lenda.
Nas profundezas do templo, uma passagem associada a um antigo cenote levaria ao Submundo Maia. E esse território seria protegido por Tsukán, uma gigantesca serpente cuja presença transforma uma expedição arqueológica em uma luta pela sobrevivência.
A ideia do cenote é particularmente apropriada para o contexto.
Cavernas e corpos subterrâneos de água ocupam um papel importante na geografia e na história da região da Península de Yucatán, além de terem relevância cultural para povos maias. A Imagineering está utilizando essa relação entre água, cavernas, mundo subterrâneo e espiritualidade como parte da construção narrativa da atração.
Mas, como costuma acontecer nas melhores aventuras de Indiana Jones, o problema surge quando alguém mexe em algo que talvez devesse ter permanecido intocado.
Os visitantes serão envolvidos nessa descoberta e acabarão sendo levados para o Submundo, a partir daí, o passeio muda de uma exploração arqueológica para uma fuga com morcegos gigantes, escorpiões, fogo, perigos dentro do templo, e, inevitavelmente, cobras. Muitas cobras.

Tsukán pode ser a nova estrela tecnológica da atração
Entre todas as revelações apresentadas pela Imagineering, talvez nenhuma tenha causado tanta curiosidade quanto a gigantesca figura de Tsukán.
A serpente será representada por um grande Audio-Animatronic construído para ocupar uma escala impressionante em relação aos visitantes.
A equipe responsável pelo projeto também revelou que parte importante da criatura está sendo esculpida manualmente.
Esse detalhe merece atenção.
Em uma época em que ferramentas digitais, modelagem 3D e automação fazem parte de praticamente todas as etapas de desenvolvimento de uma atração moderna, a escolha por técnicas manuais não significa um retorno ao passado.
Significa utilizar o melhor de dois mundos.
A tecnologia permite que uma criatura tenha movimento, expressão e precisão. O trabalho artesanal ajuda a garantir textura, organicidade e imperfeições visuais que fazem um animal parecer menos como uma máquina e mais como um ser físico.
É exatamente o tipo de combinação que a Imagineering vem explorando na evolução dos Audio-Animatronics.
E Tsukán parece ter sido concebida para ser um daqueles encontros que o visitante não esquece imediatamente depois de sair da atração.

Por que o medo de cobras faz tanto sentido em Animal Kingdom?
A piada de Indiana Jones — “Por que tinham que ser cobras?” — funciona porque é imediatamente reconhecível para os fãs dos filmes. Mas existe uma camada adicional na escolha.
Serpentes são animais que provocam uma reação humana extremamente visceral. Elas também fazem parte de ecossistemas tropicais e aparecem em mitologias e tradições culturais de diferentes sociedades.
Em Animal Kingdom, isso permite que o animal não seja apenas um obstáculo de aventura. Ele pode ser parte da própria linguagem do parque.
A criatura fantástica de Indiana Jones conversa, portanto, com um parque que há décadas tenta colocar animais no centro de suas histórias, sejam eles reais, extintos ou imaginários.
Tsukán pode ser um monstro. Mas é também um animal. E essa ambiguidade combina perfeitamente com o DNA do Animal Kingdom.
O Yeti continua sendo uma das maiores histórias do parque
Enquanto Tropical Americas representa o futuro, Expedition Everest continua sendo uma lembrança poderosa de como o Animal Kingdom transforma uma criatura lendária em narrativa.
A montanha da atração se aproxima dos 200 pés de altura, cerca de 61 metros, e sua história começa muito antes de o visitante entrar no trem.
A fila passa por um pequeno museu que apresenta pistas sobre a existência do Yeti: fotografias, desenhos, relatos, objetos e evidências de expedições anteriores.
É uma das grandes qualidades da atração. O Yeti não aparece de repente. Ele é construído aos poucos.
Quando o visitante finalmente embarca no antigo trem de transporte de chá e começa a subir pela montanha, já sabe que alguma coisa está errada.
O trilho interrompido é o primeiro grande sinal.
A partir daí, a história deixa de ser uma expedição e passa a ser uma fuga.
A montanha foi inspirada em elementos da região do Everest, do Tibete e do Nepal, e a Imagineering criou toda uma narrativa para justificar a presença do misterioso guardião.
O resultado é uma das experiências mais completas do parque: uma atração em que fila, arquitetura, paisagem, trilha sonora, veículo e personagem trabalham para contar a mesma história.
E é justamente por isso que o anúncio de uma mudança no Yeti chamou tanta atenção.
O retorno do Yeti promete recuperar um dos grandes momentos da atração
Durante a apresentação da D23, Thomas Mazloum, presidente da Disney Experiences, anunciou que o Yeti voltará a ganhar vida em Expedition Everest.
A revelação foi acompanhada por uma participação especial de Gloria Gaynor, que apresentou “I Will Survive”, uma referência bem-humorada ao longo período em que o lendário Yeti permanece em seu conhecido movimento estroboscópico.
Para quem visita o parque há anos, o anúncio representa mais do que uma atualização técnica.
O Yeti original de Expedition Everest é frequentemente lembrado como um dos exemplos mais impressionantes da engenharia de Audio-Animatronics da Disney. O mecanismo criado para movimentar uma criatura daquele tamanho era extremamente ambicioso para a época.
Quando problemas estruturais impediram que o movimento original continuasse sendo utilizado como planejado, a atração passou a trabalhar com uma versão diferente do efeito.
A promessa de trazer o Yeti de volta à ação, portanto, recupera parte da experiência que marcou a história da montanha.
É também uma lembrança de que, no Animal Kingdom, criaturas fantásticas têm o mesmo peso narrativo que os animais reais.

Tropical Americas não nasceu apenas em 2024
Embora o anúncio oficial da nova área tenha acontecido na D23, a ideia de uma região inspirada nas Américas tropicais é anterior.
A própria Imagineering revelou em 2026 que projetos antigos para o Animal Kingdom já consideravam uma área inspirada nessa parte do mundo, incluindo elementos relacionados à cultura maia e uma floresta tropical. O conceito evoluiu ao longo dos anos até encontrar uma combinação com Encanto e Indiana Jones.
Esse histórico ajuda a explicar por que Tropical Americas parece tão alinhada ao parque, não é simplesmente uma reação ao sucesso de Encanto. Existe uma ideia anterior sobre como representar uma região extremamente biodiversa e culturalmente rica dentro do Animal Kingdom.
A chegada de Encanto ofereceu uma nova maneira de contar essa história. Indiana Jones ofereceu outra.
O resultado é uma área que pode conectar diferentes tipos de visitantes: quem chega por causa de uma animação, quem chega por causa de aventura, quem se interessa por animais, quem gosta de história e quem simplesmente quer explorar um novo ambiente.
A cultura maia será parte da experiência — e não apenas decoração
Um dos aspectos mais importantes do projeto será justamente a maneira como a cultura maia aparece em Tropical Americas.
A Disney confirmou que Imagineers vêm trabalhando com especialistas e realizando pesquisas de campo para desenvolver os elementos da área. A equipe visitou Honduras e o sítio arqueológico de Copán, estudando técnicas de escultura, materiais e características arquitetônicas locais.
Essa abordagem é particularmente relevante porque atrações inspiradas em culturas reais enfrentam um desafio diferente das experiências baseadas em mundos completamente fictícios. Não basta que o ambiente pareça bonito, ele precisa fazer sentido.
Um templo maia não pode ser apenas um conjunto de pedras cobertas de vegetação porque isso corresponde ao imaginário popular de uma ruína tropical. A arquitetura precisa ter lógica, os símbolos precisam ser tratados com cuidado e os elementos culturais precisam ser contextualizados.
É esse trabalho invisível que pode determinar se uma área envelhecerá bem. E a expectativa é que Tropical Americas seja construída justamente com essa preocupação.
Uma área infantil que transforma curiosidade em brincadeira
Tropical Americas também terá um espaço de recreação inspirado na cultura maia.
A proposta é que crianças possam explorar artefatos e descobrir elementos relacionados à floresta tropical por meio de atividades interativas.
Pode parecer um componente secundário diante de duas grandes atrações, mas ele cumpre uma função importante na arquitetura de uma área familiar.
Uma família com crianças pequenas não consegue passar o dia inteiro em atrações de grande intensidade. O parque precisa oferecer pausas.
Precisa criar lugares em que a criança possa explorar no próprio ritmo, tocar, observar, brincar e fazer descobertas sem depender de uma fila ou de um veículo.
No caso de Tropical Americas, essa área infantil também reforça um conceito importante: conhecimento pode ser entretenimento.
A curiosidade sobre animais, arqueologia, natureza e cultura pode fazer parte da experiência sem transformar o parque em uma sala de aula.
A grande hacienda também terá papel importante
Outro elemento que merece atenção é a alimentação. A nova área contará com uma grande hacienda, planejada para ser um dos maiores restaurantes de serviço rápido do Walt Disney World Resort.
Em áreas temáticas bem construídas, restaurantes não são simplesmente lugares para comer. Eles ajudam a contar a história.
É por isso que Satu’li Canteen, em Pandora, ou os restaurantes de Harambe funcionam como extensões da narrativa do ambiente. A arquitetura, os objetos, os cardápios e a própria localização ajudam a explicar quem vive naquele lugar.
A hacienda de Pueblo Esperanza terá potencial para desempenhar exatamente essa função.
Ainda que detalhes completos de cardápio e operação tenham sido divulgados de forma limitada, o espaço representa uma oportunidade para que a nova área tenha uma identidade gastronômica própria — algo especialmente importante em um parque em que alimentação e ambientação caminham lado a lado.
O que Tropical Americas diz sobre o futuro da Disney
Talvez a parte mais interessante dessa expansão não seja nenhuma atração isoladamente, é a direção que ela aponta. Durante muitos anos, a discussão sobre parques Disney esteve concentrada em uma pergunta simples: qual filme será transformado em atração?
Tropical Americas apresenta uma pergunta mais sofisticada: como uma história conhecida pode pertencer organicamente a um lugar?
Encanto poderia ter recebido uma atração em qualquer parque. Indiana Jones também poderia ter sido incorporado a diferentes ambientes. Mas o Animal Kingdom oferece algo que nenhum outro parque do Walt Disney World possui na mesma medida: uma filosofia construída em torno da relação entre natureza, cultura e aventura.
Encanto fala sobre animais, família e pertencimento. Indiana Jones fala sobre arqueologia, mistério, história e uma civilização profundamente conectada ao mundo natural.
Ambas podem ser colocadas dentro de Tropical Americas sem parecerem completamente desconectadas da identidade do parque. Essa talvez seja a maior aposta da expansão.
O Animal Kingdom está entrando em uma nova fase
A transformação também representa o encerramento definitivo de uma era.
DinoLand U.S.A. foi oficialmente fechada em fevereiro de 2026, dando lugar à construção de Tropical Americas. A Disney confirmou que a nova área continua em desenvolvimento e tem abertura prevista para 2027.
É uma mudança simbólica.
DinoLand tinha uma proposta baseada em uma espécie que já não existe e em uma estética deliberadamente exagerada de estrada americana. Tropical Americas parte de outra premissa: uma região real, biodiversa e culturalmente complexa, reinterpretada através das lentes da Disney.
O parque, portanto, não está apenas trocando atrações. Está mudando a maneira como uma parte de sua história é contada.
E essa transformação acontece enquanto outras áreas do Animal Kingdom continuam reforçando sua vocação para a natureza. Atualmente, o parque abriga mais de 250 espécies de animais, incluindo dezenas de espécies no Kilimanjaro Safaris.
Tropical Americas chega, assim, não para abandonar o conceito original do parque, mas para ampliar sua definição de natureza.
O que esperar quando Tropical Americas abrir
Quando Pueblo Esperanza receber seus primeiros visitantes em 2027, a experiência provavelmente começará antes mesmo da primeira atração.
A arquitetura será parte da narrativa. A fonte central ajudará a estabelecer a vida do vilarejo. A hacienda oferecerá um ponto de encontro. O carrossel criará uma experiência familiar de ritmo mais tranquilo. A área infantil permitirá que os pequenos explorem. E, no meio disso tudo, estarão duas atrações completamente diferentes.
Em Antonio’s Fiesta de Encanto, a jornada será guiada pela família Madrigal, pela Casita e pelo dom de Antonio, enquanto uma floresta colombiana ganha vida ao redor dos visitantes.
Em Indiana Jones and the Myth of the Jade Serpent, a atmosfera será outra: templo, arqueologia, cenote, fogo, criaturas perigosas e uma serpente lendária.
A mesma área terá espaço para encanto e perigo. Para crianças pequenas e para fãs de Indiana Jones. Para quem conhece todos os personagens de Encanto e para quem nunca assistiu ao filme.
Para quem quer uma atração e para quem prefere simplesmente sentar para comer ou deixar os filhos brincarem. Esse equilíbrio pode ser uma das grandes virtudes de Pueblo Esperanza.
Uma nova razão para voltar ao Animal Kingdom
Para quem já conhece o Disney’s Animal Kingdom, a chegada de Tropical Americas deverá mudar significativamente a maneira de organizar um dia no parque.
Para quem está planejando a primeira viagem a Orlando, a expansão acrescentará novas experiências a um parque que já reúne atrações muito diferentes entre si: safári, trilhas de animais, Pandora, Expedition Everest, espetáculos e agora um novo universo de Encanto e Indiana Jones.
A consequência mais interessante é que o Animal Kingdom pode deixar de ser visto por alguns visitantes como um parque que exige apenas meio dia de visita.
A nova área terá potencial para aumentar o tempo de permanência, especialmente para famílias que desejam explorar as atrações, comer, brincar e observar os detalhes do ambiente.
E isso é particularmente relevante em uma viagem a Orlando. Parques não são apenas listas de atrações. São lugares em que o ritmo do dia importa.
Uma família que encontra diferentes níveis de intensidade, espaços de descanso, alimentação, entretenimento e experiências para diferentes idades tende a aproveitar melhor o tempo — e a perceber o parque de uma maneira completamente diferente.
O futuro do Animal Kingdom já começou
Ainda falta algum tempo para os primeiros visitantes entrarem em Pueblo Esperanza, mas a transformação do Animal Kingdom já começou.
DinoLand ficou para trás. As obras avançam. A Imagineering continua realizando pesquisas. Os detalhes arquitetônicos começam a revelar a identidade da nova área. E as atrações, antes apresentadas apenas em artes conceituais, começam gradualmente a ganhar forma física.
Em 2026, a própria Disney voltou a mostrar que o projeto continua avançando e reforçou que Tropical Americas deverá abrir em 2027.
Quando isso acontecer, não será apenas a estreia de uma atração de Encanto ou de uma nova aventura de Indiana Jones. Será a chegada de um novo capítulo para o Disney’s Animal Kingdom.
Um capítulo em que a Casita se transforma em floresta, uma antiga civilização ganha uma nova história de aventura, animais reais inspiram experiências fantásticas e uma comunidade inteira é criada para conectar tudo isso.
Talvez seja justamente esse o detalhe mais interessante de Tropical Americas. A Disney poderia simplesmente ter colocado Encanto e Indiana Jones dentro do Animal Kingdom.
Em vez disso, está tentando construir um lugar onde eles façam sentido juntos. E, quando a porta da Casita finalmente se abrir e a primeira expedição entrar no templo de Tsukán, será possível descobrir se essa aposta funcionou.
Pelo que já foi revelado, há boas razões para acreditar que o resultado poderá ser uma das transformações mais interessantes da história recente do Animal Kingdom.
O próximo grande capítulo do parque não será sobre escolher entre natureza, fantasia ou aventura. Será sobre descobrir como as três podem contar a mesma história.
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